i would prefer not to
o narrador começa dizendo que abriu mão das biografias de todos os escrivães para contar algumas passagens da vida de bartleby. ele diz que talvez pudesse escrever a vida completa de outros copistas, mas não é possível fazer isso com bartleby. ele ainda diz que bartleby era uma dessas criaturas a respeito das quais nada se pode averiguar, exceto nas fontes diretas, e estas, eram muito poucas. aquilo que vi, com os meus próprios olhos, é tudo o que sei a respeito dele.
o narrador, um advogado em nova york, emprega bartleby - que se recusa ao trabalho de copista/escrivão. bartleby é despedido mas não deixa o lugar. o narrador se muda, perturbardo. bartleby é levado à prisão, se recusa a comer e acaba morrendo. ele não diz não, ele diz:
i would prefer not to.
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adília lopes diz que se arrepende de ter jogado fora o filme que fez em 1974, com uma câmera super 8.
ela conta que a sua avó materna e a tia-avó passavam as tardes na sala de estar, sentadas no sofá, sem fazer nada. a avó materna, quando o sol ficava encoberto, dizia: lá vamos para o túnel! ela diz que era como se estar assim em casa, sem fazer nada, fosse viajar de comboio. estavam atentas à passagem do tempo. eu acho isto importante.
ela conta que a sua avó materna e a tia-avó passavam as tardes na sala de estar, sentadas no sofá, sem fazer nada. a avó materna, quando o sol ficava encoberto, dizia: lá vamos para o túnel! ela diz que era como se estar assim em casa, sem fazer nada, fosse viajar de comboio. estavam atentas à passagem do tempo. eu acho isto importante.
francis alys arrasta um bloco de gelo pelas ruas da cidade do méxico até seu derretimento, por mais de 9h. o fracasso como questionamento da noção de produtividade ou do sentido atribuído aos gestos.
a desproporção entre esforço e resultado, sinalizada já no título: paradoxo da prática 1 (às vezes fazer alguma coisa leva a nada).
por mais de dez anos, o artista tentou fazer uma seqüência lógica para o trabalho (às vezes não fazer nada leva a algo), para ilustrar o princípio contrário. seu fracasso em pensar algo para esse tema levou a outros trabalhos baseados num questionamento da eficiência.
a desproporção entre esforço e resultado, sinalizada já no título: paradoxo da prática 1 (às vezes fazer alguma coisa leva a nada).
por mais de dez anos, o artista tentou fazer uma seqüência lógica para o trabalho (às vezes não fazer nada leva a algo), para ilustrar o princípio contrário. seu fracasso em pensar algo para esse tema levou a outros trabalhos baseados num questionamento da eficiência.
o primeiro livro de roni horn, intitulado bluff life, reúne uma série de desenhos. ela esteve em um farol, um lugar isolado, praticamente inabitado, sozinha, por dois meses. eu quis, ela diz, ir para um lugar distante e isolado e estar lá. eu queria estar lá sem muito para fazer nem muita coisa acontecendo. chegar ao ponto de nao ter expectativas. planejava estar o mais próximo possível de um estado de estar presente sem influenciar as coisas ou o lugar. o desejo de estar presente e fazer parte de um lugar sem mudá-lo, mesmo sabendo qe esse desejo só pode ser frustrado.
to see a landscape as it is when i’m not there
yous in you, na basileia, é um passeio criado por roni horn ao lado de uma estação de trem. o piso é constituído por concreto e um material emborrachado, que se mimetiza ao concreto. ambos, na verdade, mimetizam uma formação basáltica da islândia e são feitos a partir de moldes. a diferença entre eles é imperceptível para a visão. a diferença só é percebida e, sutilmente, ao caminhar. ela diz que há diferença entre a experiência sensorial de pisar o concreto que reflete o som e o peso e de pisar a borracha, que os absorve.
to see a landscape as it is when i’m not there
yous in you, na basileia, é um passeio criado por roni horn ao lado de uma estação de trem. o piso é constituído por concreto e um material emborrachado, que se mimetiza ao concreto. ambos, na verdade, mimetizam uma formação basáltica da islândia e são feitos a partir de moldes. a diferença entre eles é imperceptível para a visão. a diferença só é percebida e, sutilmente, ao caminhar. ela diz que há diferença entre a experiência sensorial de pisar o concreto que reflete o som e o peso e de pisar a borracha, que os absorve.
guto lacaz, em uma palestra, contou algumas histórias de fracassos. ele relatou um fracasso seu que virou público: em 1989, fez uma intervenção no parque ibirapuera, chamada auditório para questões delicadas. nesse trabalho, cadeiras flutuavam no lago. no dia seguinte à inauguração, uma imagem no jornal anunciava: cadeiras de guto lacaz naufragam. eu morri de vergonha, ele disse. durante dois meses, guto lacaz trabalhou, experimentando materiais, pedindo ajuda, fazendo testes, estudando o lago para que a instalação suportasse os ventos e a correnteza. ele diz: é normal algo sair errado. e também: a minha relação com os erros é de ódio, mas também de aprendizado. guto lacaz diz que queria ser engenheiro naval, mas era ruim em matemática.
em museu das vistas, carla zaccagnini propõe que as pessoas descrevam a vista de um lugar para um retratista policial fazer um
desenho. uma patética frustração permeia a experiência, não só com relação ao desenho, mais ou menos inábil, mas sobretudo em relação à nossa incapacidade de descrever, de falar meticulosamente da imagem de um lugar.
desenho. uma patética frustração permeia a experiência, não só com relação ao desenho, mais ou menos inábil, mas sobretudo em relação à nossa incapacidade de descrever, de falar meticulosamente da imagem de um lugar.
gonçalo tavares diz que a linguagem não pode ser um lugar de comunicação, mas da incomunicação, isolamento, ambigüidade. ele propõe falar sempre como se estivesse na floresta, sem o pressentimento de um negócio a ser estabelecido, sem necessidade de comunicar. um lugar incomum, que desequilibre. fala de frases que vêm da floresta.
em busca do milagroso é o nome do trabalho final de bas jan ader, concebido como um tríptico, envolvendo, na primeira parte, canções de marinheiros e imagens noturnas de los angeles; na terceira, imagens em amsterdã. a segunda parte consistia na travessia solitária do oceano atlântico, no que seria o menor barco a fazer esse percurso. seu barco foi encontrado na irlanda, seis meses depois de sua partida. bas jan ader desapareceu no oceano.
tacita dean diz que bas jan ader estava fazendo um trabalho de arte, e que o trabalho não consistia em desaparecer, mas em atravessar o oceano sozinho, inclusive como resposta à jornada que o levou da europa à califórnia. ela diz que se ele tivesse completado a travessia nunca pensaríamos o sufiente sobre o que significa atravessar o oceano sozinho em um barco tão pequeno.
ela ainda diz que: whatever we believe or whatever we imagine, on a deep deep level, not to have fallen would have meant failure.
cair é uma ação recorrente em suas fotografias e filmes. ele cai de bicicleta em um lago. ele deixa-se cair de uma cadeira do telhado de uma casa. ele cai de um galho de uma árvore.
thoughts unsaid then forgotten
tacita dean diz que bas jan ader estava fazendo um trabalho de arte, e que o trabalho não consistia em desaparecer, mas em atravessar o oceano sozinho, inclusive como resposta à jornada que o levou da europa à califórnia. ela diz que se ele tivesse completado a travessia nunca pensaríamos o sufiente sobre o que significa atravessar o oceano sozinho em um barco tão pequeno.
ela ainda diz que: whatever we believe or whatever we imagine, on a deep deep level, not to have fallen would have meant failure.
cair é uma ação recorrente em suas fotografias e filmes. ele cai de bicicleta em um lago. ele deixa-se cair de uma cadeira do telhado de uma casa. ele cai de um galho de uma árvore.
thoughts unsaid then forgotten
tacita dean fez uma gravação do áudio de vento e granizo de uma fortíssima tempestade. a bbc e a rádio 3 recusaram a transmitir porque não havia suficientes pistas narrativas. ela diz que o pro-blema era o silêncio. ela utilizou uma seqüência muito grande de silêncio. era o siêncio antes de uma tempestade que eu tinha conseguido capturar. ela comenta que na rádio há um gabarito de silêncio que não se deve ultrapassar e que, quando tem silêncio demais, ouve-se uma música patriótica na sede da bbc.
em 2006, fiz uma série de fotografias intitulada pedras que boiam. as imagens são ambíguas, a água está transparente e sem ondulações. em algumas imagens pode-se ver até a sombra da pedra no fundo. não se pode ver na foto, mas as pedras são papéis pintados de preto com carvão, amassados e depois dobrados e colados, de forma a parecer uma pedra. são ocos. eu coloquei na superfície da água e fotografei.
depois de algum tempo eles se afastaram da margem, foram se desintegrando e afundaram.
depois de algum tempo eles se afastaram da margem, foram se desintegrando e afundaram.
em malone morre, o personagem de samuel beckett fala de trabalhos que não terminam senão deixando-os de lado. trabalho chato e de utilidade duvidosa, como são grande parte dos trabalhos. ele diz que poderia escolher lentilhas até o amanhecer que seu objetivo, deixá-las limpas de toda a impureza, não seria atingido. pararia no fim, dizendo, fiz o que pude. mas não teria feito o que poderia. ele diz: vem sempre o momento quando a gente desiste, por esperteza, desanimado, mas não ao ponto de desfazer tudo o que já tinha feito.
ele se autoquestiona: mas se a sua meta ao escolher lentilhas não era afastar tudo o que não fosse lentilha, mas só a maior parte, e daí? não sei. há outros trabalhos, outros dias, quando a gente pode dizer sem se enganar muito que está acabado. embora eu não veja quais.
ele se autoquestiona: mas se a sua meta ao escolher lentilhas não era afastar tudo o que não fosse lentilha, mas só a maior parte, e daí? não sei. há outros trabalhos, outros dias, quando a gente pode dizer sem se enganar muito que está acabado. embora eu não veja quais.
no telefone um artista me disse que tem especial apreço pelo fracasso de giacometti, relatado no livro um retrato de giacometti, em que o autor descreve as sessões em que o artista faz o seu retrato e inúmeras vezes destrói a imagem.
no telefone, eu perguntei sobre um trabalho, de uma caneca de cerâmica, bastante pesada, que exigia ser segurada com as duas mãos. ele pretendia usar aquela caneca em casa. o peso fazia com que se tornasse mais difícil conciliar a atividade de beber água com outras coisas. a idéia era estar presente. evitar beber água automática e apressadamente, mas estar atento e consciente do seu gesto. eu perguntei desse trabalho e ele me disse que se sentia patético quando tomava água, quando olhava a caneca. ele me disse que a idéia toda da caneca estava ligada a um contexto específico, e que representava uma resposta a uma demanda programada, a uma sensibilidade que se estava propondo formar naquele contexto. ele dá aula de artes no ensino básico e secundário. eu perguntei como ele convivia com o fracasso que é dar aula.
eu conversava com ele no telefone e sabia que ia me esquecer de quase tudo, sobretudo das palavras que ele tinha dito.
no telefone, eu perguntei sobre um trabalho, de uma caneca de cerâmica, bastante pesada, que exigia ser segurada com as duas mãos. ele pretendia usar aquela caneca em casa. o peso fazia com que se tornasse mais difícil conciliar a atividade de beber água com outras coisas. a idéia era estar presente. evitar beber água automática e apressadamente, mas estar atento e consciente do seu gesto. eu perguntei desse trabalho e ele me disse que se sentia patético quando tomava água, quando olhava a caneca. ele me disse que a idéia toda da caneca estava ligada a um contexto específico, e que representava uma resposta a uma demanda programada, a uma sensibilidade que se estava propondo formar naquele contexto. ele dá aula de artes no ensino básico e secundário. eu perguntei como ele convivia com o fracasso que é dar aula.
eu conversava com ele no telefone e sabia que ia me esquecer de quase tudo, sobretudo das palavras que ele tinha dito.
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